Capítulo 1

Os preconceitos gerais contra a adoção

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Os pretendentes, já antes da adoção, enfrentam dois tipos totalmente diferentes de preconceitos contra a adoção.

Os preconceitos gerais e os específicos. Os gerais valem para toda adoção, e os específicos, especificamente para cada adotante.

Neste capítulo só vamos abordar os preconceitos gerais, os específicos abordamos no Capítulo 8.

1.1 A Sobrevivência à morte

Um preconceito geral contra adoção é instintivo. Seres vivos temem a morte. Os seres humanos tentam diversas formas de superar isso:

Religião: A esperança de uma vida após a morte. Todas as religiões prometem isso, afinal é a razão de sua existência. O cristianismo é tão bem-sucedido, porque não só promete, como alega que a superação da morte já foi feita, por Jesus. É como anúncios no Instagram, que afirmam, que o anunciante já conseguiu algo, e agora ensina, mediante pagamento, como os outros alcançam isso também. É uma cópia do cristianismo. Ele já fez, e agora lhe ensinamos como fazer, para você também conseguir. O preço, obediência e dinheiro. A religião como forma de superar a morte funcionou bem durante séculos na Europa e nas Américas, mas agora, o cristianismo perdeu sua força, na Europa, porém o Islã mantém a sua na África, Ásia, e está conquistando partes da Europa.

Longevidade: Definitivamente um substituto da religião na luta contra a morte. Funciona muito bem nos países avançados da Ásia, na Europa e nos EUA. A ideia é que o ser humano se torne imortal, o que, por óbvio, superaria o medo da morte. A expectativa é uma imortalidade gradual, no sentido, que a ha cada ano, a expectativa de vida aumenta um ano, o que efetivamente significa imortalidade. Lula já fala abertamente que quer chegar aos 120, mas provavelmente em 40 anos, os 100 são os novos 30, os 150 os 50, e assim adiante. Veremos, mas sim, a corrida atrás da Longevidade é uma forma de superar a morte, ou ao menos o medo dela. Porque, possivelmente com 500 anos, o ser humano se cansou da vida, e quer morrer, agora sem medo.

Procriação: E agora vem o preconceito. Uma das formas, embora agora superada pela Longevidade, de superar a morte, é a procriação. O ser humano tem a ilusão, que, ao ter filhos biológicos, ele vive neles mesmo após a morte. É uma ilusão, eu não tenho absolutamente nada de meus avós, eles não continuam vivos em mim. Portanto, é uma ilusão, não se supera a morte, procriando. De qualquer forma, como se vê nas estatísticas, quanto mais avança a longevidade, tanto mais cai a taxa de nascimentos.

Mas, embora a ideia de superar a morte pela procriação seja uma ilusão, esta ideia baseia o preconceito, que filhos adotivos não sejam filhos de verdade, porque não seria seu DNA, que vive neles.

É totalmente absurda a ideia, mas persistente. Sim, o DNA não é o mesmo, mas o que vai sobreviver seria sua educação, seus valores, suas ideias, claro de forma refletida, modificada e adaptada, mas mesmo assim.

Sendo assim, o preconceito está duplamente errado, por um, porque o fato que há filhos biológicos, não significa, que algo relevante dos pais sobreviva nos filhos, e por dois o fato de ter filhos adotivos não significa, que nada dos pais sobreviva

1.2 O estranho

Criar um estranho. Isso é outro preconceito geral, mas também esta errado.

Ora, o filho biológico também é estranho. Nunca viu antes, chegou e tem que conviver com ele;

Hoje em dia já sabemos, que as crianças não são tábulas rasas, mas bem seres humanos, que nascem com sua personalidade, que pode ser diferente da personalidade dos pais. Ou seja, filhos biológicos são também estranhos, uma caixa de surpresa, que vão ser diferentes de que os pais esperam.

Não vejo diferença aqui, entre o filho biológico, e adotivo, ambos, ao chegar, são estranhos.

Ao adotar hoje em dia, os vínculos do amor são os mesmos como com filho biológico.

Sim, aqui pode ter um resto de preconceitos dos séculos passados, onde adoção era as vezes a obrigação de acolher uma criança estranha, que não queria. Sim, isso é um problema, mas não é a situação atual do Brasil. Aqui só adota, quem quer, e só adota a criança que quer adotar.

Portanto, este preconceito geral é um resquício do passado, que não se aplica mais,